sexta-feira, agosto 21, 2009

O Vendedor de sonhos

Eu retirei um trecho do livro "O Vendedor de sonhos". Porque me identifiquei com ele. Como gosto de me auto-analisar. Posso estar errada, e quem disse que estou certa, mas acredito que minha timidez seja resultado de críticas. (Não quero dizer que as mesmas não são construtivas. E não quero justificar uma coisa que chamo de ponto positivo e ponto negativo). Só quero achar resposta para o "problema".

E sempre fui do lema: "E fácil falar dos outros. Agora quero ver você ir lá e viver a vida dele (a)." Bom, aproveite o trecho extraído do livro (pág, 87)
Salomão Salles. Tinha gestos estranhos, capaz de cativar a atenção até das crianças. Mexia o pescoço agitadamente, flexionando os músculos trapézios para o lado
esquerdo e para o alto. Piscava o olho várias vezes. Antes de entrar por uma porta, dava três pulos, pois se não o fizesse acreditava que alguém da sua família morreria. Era portador de um grave TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).

Além de todos esses bizarros rituais compulsivos, o mais engraçado e mais estranho é que Salomão não podia ver um buraco, uma saliência, fosse nas paredes, muros, solo, móveis, que tinha o desejo de enfiar neles o dedo indicador direito. No exato
momento em que o observamos, estava agachado, colocando o dedo em vários pequenos orifícios da calçada.

Os passantes debochavam dele. Sinceramente, não nos contivemos também. Tentávamos disfarçar nossas risadas. Pensávamos ter encontrado alguém com mais transtorno que todos nós. Mas o mestre não gostou da nossa reação. Virando a face, ele nos questionou:
— Esse jovem é mais frágil ou mais forte que nós? Qual o preço que paga por expressar seus rituais em público? É um fraco ou é dotado de notável coragem? Não sei quanto a vocês, mas sem dúvida ele é mais forte que eu.
Calamo-nos, mas ele continuou:
— Quantas vezes vocês acham que esse jovem se sentiu no centro de um circo que não construiu, como agora? Quantas noites de insônia não teve, pensando nas gargalhadas dos andantes? Em quantas situações não foi aprisionado nos currais inumanos do preconceito? — E para nos fazer sentir ainda mais o odor fétido da
nossa discriminação, concluiu: — A crítica fere uma pessoa, o preconceito anula-a.

Sempre que analisava a psique dos outros, tirava nossa roupa, deixava-nos ”nus”. Descobri que mesmo pessoas como eu, que sempre defenderam os direitos humanos, são grosseiramente preconceituosas em algumas áreas, ainda que essa barbárie se
manifeste sutilmente, num sorriso disfarçado ou numa silenciosa reação de indiferença. Somos piores que os vampiros. Matamos sem extrair o sangue.
— Se quiserem vender o sonho da solidariedade, terão de aprender a enxergar as lágrimas nunca choradas, as angústias nunca verbalizadas, os temores que nunca contraíram os músculos da face.


Até os meus próximos passos!
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